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Secretário da Educação Básica, Francisco das Chagas

Escolas BilínguesO ensino de Espanhol e Português já entrou na pauta do Mercosul Educacional. Com o Projeto Escolas Bilíngües de Fronteira no ensino fundamental para alunos de escolas públicas, Brasil e Argentina deram início à integração de culturas diferentes a partir do aprendizado do idioma do país vizinho. O secretário da Educação Básica do Brasil, Francisco das Chagas, acredita que outras ações devem surgir futuramente integrando os demais países a partir do ensino de idiomas. Nesta entrevista, o secretário fala sobre o Programa Escola de Fronteira e outras iniciativas que podem vir a ser adotadas pelos países-membro do Mercosul.

De que forma o projeto Escola de Fronteiras tem contribuído efetivamente para a integração dos países-membro do Mercosul Educacional?

Na realidade, o projeto Escola Bilíngüe de Fronteiras (EBF) não foi oriundo do Mercosul, já que foi iniciado entre Brasil e Argentina, mas agora já está na pauta do Mercosul. Visa aos professores e, principalmente, aos alunos, fazendo a integração para aprender, não apenas o português na fronteira do Brasil, ou o espanhol na fronteira do Mercosul, mas as duas línguas concomitantemente. Iniciamos o EBF em dois municípios do Brasil e hoje estamos em cinco. O projeto tem condições de estar no Mercosul e de ser trabalhado com outros países além da Argentina. Colômbia, Uruguai, Paraguai já manifestaram vontade de ingressar. Vamos fazer um seminário em julho e convidamos os países do Mercosul para participar. É um momento para troca de experiências entre as escolas que já estão desenvolvendo o programa. Mas convidamos os outros países para participarem também.

 

 

O Projeto já produziu algum tipo de material didático?

Ainda não temos um material específico produzido. Nossos consultores têm feito reuniões junto com a equipe de trabalho do projeto e na próxima semana, por exemplo, teremos uma reunião entre as equipes do projeto da Argentina e do Brasil para acertar e discutir questões pedagógicas e de desenvolvimento, o que permitirá termos, futuramente, materiais que podem ser produzidos pelas próprias escolas.
Com relação à formação dos professores que participam do projeto existe algum trabalho específico?
Existem os cursos e seminários de formação dos professores para poderem trabalhar com os alunos. Essa reunião, por exemplo, vai reunir pessoas da Argentina e do Brasil para tratar também da questão da formação dos professores. Como fazer? Como avançar na formação de professores? Que tipo de ênfase deve ser trabalhada?


Quais as ferramentas que o Brasil adota e podem auxiliar no Escola de Fronteiras?

O E-Proinfo tem sido de suma importância no Brasil e cada dia universaliza mais o acesso à educação. Pode ser uma tecnologia que venha a ser muita bem utilizada. Até porque não podemos tomar como critério para o EBF somente aqueles municípios que estão geograficamente na fronteira. Hoje, nosso programa ainda é pequeno, tem somente cinco municípios, mas pretende-se que, rapidamente, torne-se um grande programa. Vai crescer porque a demanda é grande e muitos países querem.


Existe alguma outra ação no âmbito da Educação Básica que possa ser expandida para o Mercosul Educacional, a exemplo do projeto Escola de Fronteiras?

Há a distribuição de material didático de livros em Espanhol e Português, algo que já está praticamente em todo o Mercosul. Mas há outro, implantado só no Brasil, que deveria ser expandido, que é o ensino de ambas as línguas nos países do Mercosul. No Brasil, temos uma lei que torna obrigatória a oferta da disciplina de Espanhol. Pode-se ter uma ação concreta que envolva as universidades na fronteira com os países do Mercosul e do Brasil para a formação de professores que atendam a essa nova demanda.


Além do projeto Escola Bilíngüe, o projeto de indicadores educacionais envolve diretamente a Educação Básica. Qual é a sua expectativa com relação aos dados que esse estudo pode trazer sobre a Educação Básica?

Quando se faz avaliação no Brasil, ou em qualquer país, é no sentido de avaliar como está se desenvolvendo a aprendizagem. A partir daí, os gestores podem ou melhorar, ou redirecionar as políticas públicas em relação àquele resultado que foi apresentado pela pesquisa. Além disso, é importante para comparar, analisar e pensar políticas públicas que dentro do Mercosul podem ser semelhantes. Ou para dizer que não é possível adotar certas políticas porque são realidades totalmente diferentes.


Como países com realidade tão específicas podem trabalhar com políticas educacionais semelhantes?

A realidade na Argentina é diferente da mesma no Brasil e assim por diante. Por exemplo, digamos que haja um indicador sobre a formação dos professores. Teríamos condições de fazer uma ação em conjunto no Mercosul para melhorar a formação inicial ou continuada dos professores? O indicador pode ajudar aos nossos países no estabelecimento de políticas comuns em relação a este tema, se ele fornecer subsídios sobre isso. Outro exemplo, digamos que os indicadores nos forneçam condições de discutir uma ação de alfabetização e letramento das crianças nas séries iniciais do ensino fundamental no Brasil. De repente, pode-se pensar em uma ação ou em políticas em relação à alfabetização e ao letramento das crianças nos demais países. Mas, o mais importante, é acreditar na possibilidade de diálogo e entendimentos. Não temos um método para a Escola de Fronteira Bilíngüe. O trabalho está sendo construído no dia a dia das escolas que estão no programa.

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